Chamamentos para a população voltar à “normalidade” e termos como “gripezinha” para descrever a atual pandemia causada pela Covid-19, inundaram os jornais brasileiros nas duas últimas semanas. O autor das declarações é o presidente da República, que tem discordado publicamente das recomendações feitas pela OMS e também pelo seu ministro da Saúde do Brasil, Luiz Mandetta.
Segundo Jair Bolsonaro, a economia do país não pode parar. E as mortes? “Paciência, acontece”, respondeu em entrevista à uma emissora brasileira, na véspera de um panorama de 533 óbitos, número registado oficialmente até ao fecho desta edição.
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Pedro Renner disse:
Um jornalismo assim torna-se questionável: o que se pretende aferir, o desempenho do personagem da peça, ou o desempenho negativo do personagem?
No primeiro caso, o desempenho será “quase 40% negativo” e portanto quase (mas mais de) 60% positivo. No segundo caso, o texto está bem, todavia, sem valor informativo, mas sim defensor de uma tese, de uma opinião, incorrendo em eventual flagrante risco de contradição na tese que quer defender.
Eu nem simpatizo muito com o homem, mas simpatizo ainda menos com dogmas e doutrinamentos de que o jornalismo tem-se sobejamente tornado vítima, mimetizando as redes sociais. Não é à toa que as pessoas já não distinguem uns dos outros.