Sim, o Natal já passou, já estamos no Novo Ano, mas não queria deixar de partilhar convosco aquela que foi a minha carta enviada para a Lapónia com o meu desejo para 2024.
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VP disse:
Prezado Joaquim Dâmaso Também eu gostaria muito de poder acreditar que um “Pai Natal” poderia resolver os problemas do mundo e, limitando-me ao seu país, tentar resolver pelo menos os mais importantes. No entanto, não começaria pela poluição suína, embora tenha um enorme respeito pelo ambiente em que vivo e um amor incondicional pela natureza deste seu maravilhoso país. Prefiro partir do sentimento aproximado de respeito mútuo que percebo neste país e perguntar-me porquê. Desde a forma vergonhosa de conduzir o carro, às gritarias desrespeitosas nos restaurantes, às crianças deixadas a correr entre as mesas, como se os filhos de “alguns” também devessem ser tolerados pelos “outros”. Depois, na carta, escreveria sobre o trabalho precário e mal remunerado, sobre o facto de jovens portugueses com competências e qualificações fugirem do país em busca de fortuna noutro lado, enquanto os políticos e as “pessoas esclarecidas do pensamento “Woke” tentam transmitir o conceito de que a imigração, que na realidade traz apenas necessidade, é um valor pelo qual devemos agradecer. Outros que estão muito mais “Woke” que os outros acusam os “residentes não habituais” de serem os causadores dos problemas do país, em vez de considerarem que o dinheiro que falta no país de origem entra em Portugal e é aqui gasto em serviços, cuidados de saúde, restauração, férias. Entre outras coisas, estamos a falar de 10 mil pessoas em mais de 10 milhões de habitantes, em vez de nos perguntarmos porquê o enorme aumento das rendas autorizado pelo governo “de esquerda”. Depois, claro, eu também escreveria uma linha sobre suínos e seus excrementos e não deixaria de fora nem os pombos, os impuros e sujos. Mas o último pedido, o mais importante, eu dedicaria ao sentimento de derrota resignada que vejo nos olhos das pessoas e que tem raízes distantes e pediria ao Pai Natal que o apagasse também da memória, porque a memória da derrota continua a matar para sempre…